domingo, 16 de março de 2008

Sobre o orkut...
A Internet é um meio de comunicação que cresce e se destaca cada vez mais. O mundo nunca esteve tão próximo, podemos obter notícias instantâneas de outros países conversar com qualquer pessoa de qualquer lugar do planeta,publicar nossas idéias que muitas vezes era confidenciada somente aos diários de cadeado e quem sabe até encontrar sua alma gêmea.Entretanto, como tudo na vida a Internet também tem suas desvantagens como propagação de violência, pornografia, preconceito etc.
Na verdade eu estive pensando recentemente muito sobre a Internet e em especial ao orkut, o qual só membro desde fevereiro de 2006.No inicio ouvia as pessoas falando, me perguntavam se eu tinha esse tal de orkut e aí a curiosidade foi tanta que só sosseguei quando abrir um. Tudo muito mágico no início, um novo mundo até então desconhecido, e aí add esse, add aquele e a lista de “amigos” só foi crescendo. No decorrer do tempo mantive laços com aqueles amigos que estavam distantes e fiz outros tantos amigos por meio dessa ferramenta social.
Tenho dado conta ultimamente da falsidade que rola no orkut, pessoas se enganam e são enganadas. As pessoas dizem ser aquilo que não são, copiam frases prontas muitas vezes contraditórias entre si, as pessoas copiam rótulos para si mesmas, aquele tímido se revela uma pessoa extrovertida, o deprimido se torna alegre, o feio se torna belo.A lista de “amigos” vai se agigantando, pessoas que nunca vimos na vida nos faz uma série de perguntas e de elogios, palavras carinhosas de desconhecidos chegam a todo momento.
.Sei de toda falsidade que rola ali, as pessoas dizem “eu te amo” numa facilidade estrondosa, dizem sentir saudades até do que sequer lembra. Embora sabendo de tudo isso, eu gosto do meu mundo azul publico minhas fotos, minhas idéias, faço novas amizades, fortaleço as já existentes, serve como um meio de me comunicar com pessoas que amo e que estão distantes ( pelo menos é mais econômico que telefone) e gosto de me revelar através das comunidades.
Mas ás vezes ao desligar o Pc a solidão bate..Quantos são de fato, nossos amigos? E isso me leva a questionar qual a vantagem desse mundo virtual? Será que nos tornamos mais sociais ou anti-sociais? Podemos acreditar mais na falsidade ou na verdade entre as pessoas? O Orkut é a "futilidade azul", ou ele ajuda nossa vida a ficar um pouco mais colorida, “com você tudo fica blue”.
Acredito que tudo depende do modo como você o encara, do que busca encontrar lá, é preciso saber usar essa ferramenta social, pra não ser usado por ela.
Meu orkut...http://www.orkut.com/Profile.aspx?uid=9472747440221111432

quarta-feira, 12 de março de 2008

Leitura

Gostaria compartilhar com vocês algumas reflexões acerca da leitura, memória, e produção textual na vida de todos nós.
Lembro que tive o prazer da leitura despertado por uma professora primária que me incentivava a ler, fazia rodas de leitura na sala de aula, ou mesmo debaixo de uma árvore frondosa no pátio, sempre me emprestava livros e não tinha pressa para que devolvesse e o que mais gostava é que ela não cobrava resumos, reescritas, lia por prazer. Bem, hoje sou Professora de Língua Portuguesa e estudante de Letras, sou uma educadora que tenho o desejo de mudança, o desejo de fazer com que meus alunos encarem o livro como fonte de prazer e enriquecimento cultural.
Ruth Rocha disse que "ler é tão gostoso como namorar" e acredito que ela tem toda razão, desde que possamos ler aquilo que nos agrada sem imposições e cobranças pragmáticas.
Nós professores precisamos refletir de que forma a leitura tem sido passada para nossos alunos, devemos começar transformando a leitura numa atividade livre, tudo que fazemos por obrigação tende a ficar chato, sugiram que seus alunos falem sobre os livros que leram ou até escrevam a respeito, mas lembre-se que essas atividades devem ser opcionais, sem exigências.
É preciso que enquanto educadoras nos empenhamos mais, é necessário que estejamos sempre buscando novas informações, e principalmente é preciso ler mais, caso contrário “o desejo de mudança” será utópico, será irreal. Que tal começar mostrando a seus alunos que através dos livros pode-se descobrir delícias que nem imaginavam, gostosuras fantásticas, prazeres incríveis.Quem sabe venham a descobrir que um bom livro pode ser uma boa companhia Acredito que o livro deve ser visto como fonte de prazer e conhecimento.
Partindo de minhas próprias experiências posso reportar a minha memória de leitor, a qual considero fundamental para reler situações de minha vida. Desde cedo aprendi que mais importante do que decodificar o que está escrito, é dar um sentido ao que leu, é preciso usar a imaginação, os conhecimentos. “A leitura de mundo” é sem sombra de dúvida muito importante no desenvolvimento da leitura da palavra. Lembro-me com imensas saudades de algumas histórias que li, dos contos de Grimm de historias que vim a conhecer. Recordo as viagens que fiz a França em “Os miseráveis” ou para a África em “A morte ronda o Kalahari” e de como me senti detetive ao ler “Droga do amor”, e “A droga da obediência”, como fui a adolescente apaixonada de “A marca de uma lágrima” ou a mulher madura e decidida de “Na margem do Rio Piedra eu sentei e chorei”, o quanto fiquei curiosa para saber se Capitu traiu ou não Bentinho, e do quanto chorei quando a cachorra Baleia foi sacrificada. Com os livros eu vibrei, chorei me decepcionei, contudo aprendi tantas coisas.
Concordo com Fanny Abramovich (...) “ser leitor é ter um caminho absolutamente infinito de descobertas e compreensão do mundo”.

sábado, 8 de março de 2008

Mulher negra


Hoje, dia 8 de março, dia internacional da mulher, dia que ficou registrado na história devido à luta travada pelas operárias por melhores condições de trabalho. Comemoramos neste dia todas as conquistas realizadas pelas mulheres, como o direito de votar e de serem votadas, liberdade de expressão etc. Porém, percebemos que há muito ainda a conquistar.
Falar da mulher, sendo mulher parece tarefa fácil, mas não é. Ser mulher não é difícil só porque temos TPM, cólicas, responsabilidades com a casa, com os filhos, e problemas conjugais. È muito mais complexo. Ser mulher, numa sociedade em que o homem detém o poder, em que existe discriminação e preconceito não é fácil. Poderia falar aqui falar sobre diversas mulheres importantes para o mundo e/ou para o Brasil, tenho certeza que teríamos vários nomes para serem lembrados. Contudo, quero falar sobre a mulher negra brasileira. Gostaria de inferir que se ser mulher não é fácil, imagine ser mulher e negra, num país que continua discriminando as minorias.Recordemos ao passado, aos livros de História mais especificamente, em que a mulher negra brasileira aparece cheia de estereótipos, que enfatizam sua desqualição social,sua "inferioridade"aparece como a escrava, a cozinheira, a “mãe-preta”, aparece com a imagem do corpo sexualizado. A situação da mulher negra brasileira na atualidade mostra um prolongamento da época escravocrata. Cabiam a elas as tarefas domésticas, e cuidados dos filhos dos senhores de engenho E hoje estamos distante disso? Quantas mulheres negras, continuam a ser as domésticas, as empregadas,as babás?Repare, os papéis representados pelas atrizes negras, na maioria das vezes são papéis subservientes, a negra como empregada, prostituta, favelada. Claro, que uma ou outra, fez um papel de protagonista, ou interpretou uma personagem que não fosse empregada, pobre, mas convenhamos num país como o Brasil, em que a população afrodescendente é imensa, isso é ainda muito pouco, ou melhor pouquíssimo. Pesquisas mostram que a mulher negra possui menos nível de escolaridade, trabalha mais, recebe menos, é mais facilmente submetida à condição de pobreza e inferioridade.De fato, percebemos que é constante a discriminação racial na vida dessas mulheres. Entretanto, muitas, buscam estratégias para mostras suas capacidades e competências, para vencer as dificuldades, para superar os estereótipos e preconceitos..Mesmo com tanto preconceito, é fundamental lembrar que muita coisa tem sido feita, é possível perceber a quantidade de mulheres negras nas universidades, em setores profissionais elitizados. Mulheres negras brasileiras que ingressaram na carreira artística como: Glória Maria, Taís Araújo, Alcione, Isabel Filardis e tantas outras, tem nos mostrado constantemente que a mulher negra tem mais que um corpo escultural, tem mais que bumbum, tem talento, esforço pessoal , capacidade de crescer cada vez mais. E quantas mulheres negras anônimas têm feito o mesmo? Certamente muitas.
Ainda há muito preconceito na sociedade brasileira tanto em relação ao gênero: a mulher, como também com a questão étnica: o negro.Imagine, então, como a mulher negra sofreu e/ou tem sofrido com preconceito étnico e de gênero?Nós, mulheres independente de nossa cor, lutamos os 365 dia do ano, contra as desigualdades sociais, superação do preconceito, liberdade de expressão . Lutamos por o direito de sermos respeitadas e lutamos também, é claro, pelo direito de amar e sermos amadas.

sexta-feira, 7 de março de 2008

Saber ouvir

"Todo mundo quer aprender a falar, ninguém quer aprender a ouvir.”( Rubem Alves)

"As grandes pessoas monopolizam a arte de escutar. As pequenas a arte de falar" ( David Schwartz)

“Não basta o silêncio de fora. É preciso silêncio dentro. Ausência de pensamentos” (Rubem Alves)

Sempre admirei o escritor Rubem Alves pela simplicidade, clareza e veracidade do que escreve. Tal foi o meu encantamento ao ler seu texto “Escutatória”. Fui descobrindo a cada palavra lida
o quanto é fundamental que as pessoas se conscientizem da importância de saber ouvir.
Em muitos de nossos momentos de “diálogo” com amigos, colegas, familiares, namorado sentimos mais necessidade de falar do que ouvir mesmo quando é o outro que quer desabafar, assim os fatos narrados perdem a relevância e no meio da conversa fazemos interferências, tentamos expor nossa opinião sobre o assunto, interpelamos quando ainda não é o momento.Isso revela o quanto somos pretensiosos em achar que nossos pontos de vista são sempre os mais importantes.
Poucos sabem ouvir, poucos conhecem a arte da empatia. As fofocas o que são? Nada mais do que conversas deturpadas por pessoas que não sabem ouvir, ah, mas sabem falar, e como sabem, falam até pelos cotovelos.
Quantas vezes não prestamos atenção quando alguém fala conosco? Pelo simples fato de estarmos preparando nossas falas para quando este terminar, isso se não o interrompermos antes, antes mesmo da pessoa “molhar o bico” já tiramos nossas conclusões.
Um bom ouvinte é alguém sábio, é aquele que sabe que aprender com os outros é uma tarefa valiosa, ouve o outro para evitar erros, sabe que é preciso controlar a mente, não exteriorizar os pensamentos, quando na verdade ainda não é a hora.
Saber ouvir é uma tarefa difícil, pois mostra nossa capacidade de lidar com a reflexão e com o silêncio.È compreendendo o outro que seremos compreendidos.È ouvindo que seremos ouvidos.


E você acredita que sabe ouvir?


Leia o texto abaixo.

quinta-feira, 6 de março de 2008

Escutatória

Rubem Alves

Sempre vejo anunciados cursos de oratória. Nunca vi anunciado curso de escutatória.
Todo mundo quer aprender a falar, ninguém quer aprender a ouvir.
Pensei em oferecer um curso de escutatória, mas acho que ninguém vai se matricular.
Escutar é complicado e sutil.Diz Alberto Caeiro que "não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores. É preciso também não ter filosofia nenhuma".
Filosofia é um monte de idéias, dentro da cabeça, sobre como são as coisas. Para se ver, é preciso que a cabeça esteja vazia.
Parafraseio o Alberto Caeiro:"Não é bastante ter ouvidos para ouvir o que é dito; é preciso também que haja silêncio dentro da alma".
Daí a dificuldade: a gente não agüenta ouvir o que o outro diz sem logo dar um palpite melhor, sem misturar o que ele diz com aquilo que a gente tem a dizer. Como se aquilo que ele diz não fosse digno de descansada consideração e precisasse ser complementado por aquilo que a gente tem a dizer, que é muito melhor.
Nossa incapacidade de ouvir é a manifestação mais constante e sutil de nossa arrogância e vaidade: no fundo, somos os mais bonitos...Tenho um velho amigo, Jovelino, que se mudou para os Estados Unidos estimulado pela revolução de 64.Contou-me de sua experiência com os índios: reunidos os participantes, ninguém fala. Há um longo, longo silêncio.
(Os pianistas, antes de iniciar o concerto, diante do piano, ficam assentados em silêncio, [...]. Abrindo vazios de silêncio. Expulsando todas as idéias estranhas.).
Todos em silêncio, à espera do pensamento essencial. Aí, de repente, alguém fala. Curto. Todos ouvem. Terminada a fala, novo silêncio.
Falar logo em seguida seria um grande desrespeito, pois o outro falou os seus pensamentos, pensamentos que ele julgava essenciais.São-me estranhos. É preciso tempo para entender o que o outro falou.
Se eu falar logo a seguir, são duas as possibilidades.Primeira: "Fiquei em silêncio só por delicadeza. Na verdade, não ouvi o que você falou. Enquanto você falava, eu pensava nas coisas que iria falar quando você terminasse sua (tola) fala. Falo como se você não tivesse falado".
Segunda: "Ouvi o que você falou. Mas isso que você falou como novidade eu já pensei há muito tempo. É coisa velha para mim. Tanto que nem preciso pensar sobre o que você falou".
Em ambos os casos, estou chamando o outro de tolo. O que é pior que uma bofetada.
O longo silêncio quer dizer: "Estou ponderando cuidadosamente tudo aquilo que você falou". E assim vai a reunião.
Não basta o silêncio de fora. É preciso silêncio dentro. Ausência de pensamentos.
E aí, quando se faz o silêncio dentro, a gente começa a ouvir coisas que não ouvia.Eu comecei a ouvir.
Fernando Pessoa conhecia a experiência, e se referia a algo que se ouve nos interstícios das palavras, no lugar onde não há palavras.
A música acontece no silêncio. A alma é uma catedral submersa. No fundo do mar - quem faz mergulho sabe - a boca fica fechada. Somos todos olhos e ouvidos. Aí, livres dos ruídos do falatório e dos saberes da filosofia, ouvimos a melodia que não havia, que de tão linda nos faz chorar.
Para mim, Deus é isto: a beleza que se ouve no silêncio. Daí a importância de saber ouvir os outros: a beleza mora lá também.
Comunhão é quando a beleza do outro e a beleza da gente se juntam num contraponto.